PDC na Nova Oikos desde dentro

Relato do PDC (Curso de Design em Permacultura) realizado na Nova Oikos em janeiro de 2016. Por Gabriela Klein.

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Imagem: Michele Torinelli

Todo o período entre 12 e 25 de janeiro, que fiquei na Nova Oikos junto com mais 29 pessoas, foi mais do que aprendizado teórico e prático sobre permacultura. Foi respirar essa palavra com todas as letras, P-E-R-M-A-C-U-L-T-U-R-A, em cada segundo do curso. Vou contar como.

Todos os eventos da Nova Oikos são, na verdade, vivências de empoderamento – e o Curso de Design de Permacultura (ou PDC) não foi diferente. As tarefas domésticas que tem que ser feitas são divididas por todos: limpeza, café da manhã e outras refeições, lavar a louça, virar o bokashi (um adubo orgânico superpotente que é ensinado como fazer durante o curso), esvaziar o banheiro seco, entre outras tarefas de rotina do lugar. Como a Nova Oikos é um espaço que está em construção, há muita demanda durante o curso em questão de logística, então só funciona bem se todos ajudarem. E essa ajuda não está na tabela de tarefas.

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Feitura do bokashi

Às vezes o que não aprendemos ou esquecemos na cidade é um dos três princípios éticos da permacultura, cuidar das pessoas. O lugar nos puxa para fazermos isso e lembrarmos disso a toda hora. Lá vemos as pessoas de forma diferente, o que nos ajuda a olhar melhor as pessoas quando voltamos. Por exemplo, como ficamos bastante embaixo do sol e/ou recebendo uma grande carga de conhecimento, precisamos de água, uma das necessidades básicas do corpo. Naturalmente, adere-se a uma prática, quem bebe água oferece essa água para todos! Outra coisa natural que vi e pratiquei foi perguntar para as pessoas como elas estão, logo cedo. “Bom dia, como você está? Dormiu bem?”. Olhando nos olhos da pessoa, tocando, abraçando, e o resultado é incrível! Muitos me falaram que há tempos as pessoas não se preocupavam de fato com elas.

Outro princípio ético é cuidar da terra: em quais momentos na nossa vida sentimos que fazemos parte da natureza? Nos ocupamos muito em envenenar a terra, as plantas e os animais para que produzam muito para satisfazer os desejos de poucos. Aprendemos a valorizar e incentivar os alimentos orgânicos e a produção local. Além do mais, o que deixamos para a terra? O uso de químicos, para começar no nosso próprio corpo, é o que vai para a terra e para as plantas e animais em qualquer lugar que você esteja. Então repensar a quantidade e a qualidade dos cosméticos e produtos de higiene que você utiliza é importante. Cada conversa e troca sobre o uso de cosméticos naturais e caseiros agrega na sua própria experiência.

O terceiro princípio ético da permacultura é a importância de repartir os excedentes e do consumo consciente – e naturalmente me veio na cabeça uma frase que me marcou muito durante o curso: “Pegue suficiente pra ti lembrando que tem mais pessoas pra pegar”. Frase dita pela Rafa para o companheiro Martin em um momento inesquecível para mim. Questionamentos me vêm na cabeça. Você realmente precisa disso? E se precisa, será que tem mais gente que precisa também? Essa ética fala sobre tantas coisas que é até difícil contextualizar tudo. Tudo o que produzimos tem o objetivo de utilizar algo ou consumir de alguma forma, e tudo que consumimos e utilizamos gera um resíduo. Se pararmos por aí terá um acúmulo de resíduos e matéria-prima finita para produzir. Por isso, pensar em fechar o ciclo é essencial para a vida continuar fluindo. E ainda, quando se fala em repartir os excedentes, se chega à conclusão que há excedentes e, por isso, há abundância, em tudo, alimentos, emprego, dinheiro, e quando falta é porque é mal distribuído e acaba não chegando à maioria das pessoas – o que gera um pensamento de falta, de escassez.

A rotina da Nova Oikos para alguns é parecida com a rotina da cidade, para outros é bem diferente. Acordamos cedo e o café está servido às 7h, temos em geral até às 7h30/8h para estarmos prontos para a atividade. Como este curso é bastante teórico, tivemos bastante aulas teóricas, sendo em sala, na mata, na geodésica ou entre a cozinha e o alojamento, aproveitando os horários de sol e sombra dos diversos ambientes, ajudando o corpo a captar melhor essa energia que vem através do conhecimento e armazená-la de forma eficiente (2° princípio da permacultura segundo David Holmgren). O espaço em si nos transmite muita calma e tranquilidade, o contato com a natureza nos ajuda a observar e interagir (1° princípio) conscientemente com ela e, assim, aprendendo a fazer o mesmo com as pessoas. E através dessas observações em uma das aulas práticas, vimos que a natureza nos mostra vários padrões e cada padrão tem seus detalhes (7°), e essas formas são respostas da natureza a condições do clima. No meio da manhã e da tarde recebemos lanches para fortalecer ainda mais o aprendizado e assim obter o rendimento (3°) que é esperado para o curso. Antes de todos os almoços e todas as jantas é feito uma roda de agradecimento à comida e tudo que trouxe ela para os pratos, para nos acalmarmos e nos conectarmos com o alimento. Depois os cozinheiros apresentam a comida do dia e todos vão comer. A alimentação do curso todo é o máximo possível orgânica, vegetariana e evitando os derivados de leite e ovos.

O terreno possui abundância em água mineral, por ter diversas nascentes, mas não é por isso que não somos ensinados a evitar o desperdício (6°): lavamos a louça no sistema de três bacias de água e sempre pensamos que o resíduo gerado no banheiro e na cozinha se transforma em adubo, seja para a BET (bacia de evapotranspiração), seja para o bokashi. Em alguns exercícios práticos que fizemos o maior desafio era o pouco tempo que tínhamos, então descobrimos que usar soluções pequenas e lentas (9°) acabava sendo mais
rápido e eficiente do que pensar em realizar grandes sonhos de imediato. A construção de um projeto em grupo pode dar muito certo se utilizar e valorizar os recursos que cada um tem a oferecer porque assim a energia do projeto, do local e do grupo é sempre renovada (5°). Então aprendemos a acolher a criatividade, a metodologia, a habilidade de fazer ótimos desenhos e, principalmente, os sonhos, integrando cada participante no grupo, em vez de segregar (8°). O círculo dos sonhos é exemplo disso, em que cada um tem um tempo para falar sobre seus sonhos, algo que não nos permitimos fazer nos dias de hoje.

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Os facilitadores mostraram que existe diferença na abordagem e na visualização da permacultura através das pessoas, o que a princípio pode ter gerado um certo desconforto ou admiração por um ou outro. Porém, no decorrer do curso aprendemos a usar e valorizar a diversidade (10°) – não só dos facilitadores, mas de cada participante. As pessoas são diferentes e ao longo de toda nossa vida a sociedade insiste em nos deixar iguais, quando o simples é apenas aceitar a diferença e saber utilizar ela para o bem do coletivo. Nesse mesmo pensamento, vimos que as grandes empresas e corporações centralizam muitos serviços – o que faz com que as pessoas esqueçam de usar os limites e valorizar os elementos marginais (11°),  que geralmente são os com maior potencial.

Para que o curso e a Nova Oikos sempre se renovem, os organizadores do curso tiveram todo o cuidado com as críticas, os sentimentos, as insatisfações, as alegrias e empolgações dos participantes através de círculos de trocas em que todos tinham a oportunidade de se expressar sobre como estavam se sentindo. Aplicar a autorregulação e aceitar o feedback (4°) foi também o objetivo do questionário no último dia do curso, respondido pelos participantes e retornado com observações e agradecimentos pela guardiã da Nova Oikos e organizadora do PDC, Mildred.

Apesar de todas as dificuldades, todos os encantamentos e, agora, a volta para a cidade, o maior legado que o curso me deixou foi a esperança. Essa palavra me mantém na luta para eu me unir com as pessoas e transformar o ambiente urbano e rural respeitando as pessoas e o meio ambiente. E eu só vejo uma maneira de fazer isso, usando e respondendo à mudança com criatividade (12°); dessa forma podemos sensibilizar as pessoas e despertar nelas o poder da transformação interna.

Obs.: Obrigada a todos os participantes que foram a maior inspiração para eu conseguir começar e terminar esse relato (Mil, Martin, Peter, Rafa, Thomas, Emily, Maicos, Fer, Lais, Matheus, Elis, Ana, Cajuzinho, Aninha, Bruno, Paolo, Mii, Arthur, Pats, Vine, Wagner, Carla, Taci, Joabi, João Paulo, Mari, Cairo, Flavio, Pedro e Sol).

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Imagem: Rafaelle Mendes

Receita de solo-cimento

Destacamos que essa é uma receita genérica, que pode variar de acordo com o ambiente, os materiais locais e os fins desejados

Solo-cimento usado como rejunte de tijolos de adobe
Solo-cimento usado como argamassa de assentamento para alvenaria de adobe
  • 5 volumes da mistura areia e terra (70% areia e 30% de argila – conheça seu solo para saber a proporção encontrada na sua terra)
  • 1 parte de cimento

 

Relato PDC em Curitiba – Julho/2015

conexaoComo todo sonho e todo novo projeto, nosso primeiro PDC realizado em meio urbano, começou a se tornar realidade no momento em que compartilhamos a ideia com a WakeUp – Laboratório Colaborativo. Estávamos há pouco mais de um mês da data encontrada para o PDC nas agendas dos dois projetos. Começamos então a contatar os parceiros do IPEPA – Instituto de Permacultura do Paraná para formar a aliança e constituir o time de facilitadores.

Todas as respostas foram positivas, mas ainda havia o desafio de organizar com o time as atividades práticas e distribuir o conteúdo de forma que todo o currículo proposto por Bill Mollison em seu “Designer’s Manual” fosse integrado às exposições teóricas e as atividades práticas. À medida que as inscrições foram sendo feitas, o comprometimento geral foi crescendo e conseguimos vislumbrar o curso tomando forma, corpo e energia própria.

Organizar as visitas aos projetos e participação dos convidados foi outro desafio, mas tudo fluiu na maespiralis perfeita caordem Divina.Em Curitiba acontece MUITA coisa relacionada à essa mudança de sociedade que a Permacultura propõe. São muitos e diversos projetos rolando na região urbana, periferia e municípios vizinhos. Quem tiver interessado em conhecer, busque as pessoas e projetos que referenciamos neste texto, arregace as mangas e vá colaborar!

Para as atividades práticas, tivemos plantação de mudas de frutíferas nos canteiros das ruas, construimos um espiral de ervas com paralelepipedos soltos em um trevo próximo, redesenhamos o canteiro e o palco da wakeup, construimos minhocarios, uma composteira, visitamos a agrofloresta do S. Irio no Municipio de Piraquara em parceria com o Instituto IDEAL, visitamos obra sustentável no centro de Curitiba guiados pelo bioconstrutor João Minuzzo e finalmente o grupo criou e apresentou duas propostas de design para o Parque Gomm e para a WakeUp Colab.

pumba compostaAs exposições teóricas foram permeadas de discussões, exemplos práticos, intervenções de convidados especiais (Kleber Antonio (PANCS), Amanda Sato (Economia Criativa), S. Irio (Agricultura e Conexões da Terra), entre outros!

Queremos deixar um SALVE ao pessoal da Casa Labirinto, (agradecimento especial ao Diogo Coneglian, Luca Rischbieter e Marcos Mandala) e do Salvemos o Bosque do Parque Gomm, do GESAF – Grupo de Estudos em Sistemas Agroflorestais da UFPR (AHô Stephanie Albuquerque, João Minuzzo, Pedro, Guilber e Anderson e toda a galera que compareceu no PREÁ!) e a Central do Abacaxi, que nos serviu deliciosamente!

Abaixo selecionamos alguns recortes das avaliações do curso, realizadas pelos participantes, apenas para servir de referência para outras pessoas que estejam buscando mais conhecimento na área da Permacultura, para que se inspirem! Nosso próximo PDC será no fim deste ano, ou inicio de 2016.

INFOS: nova.oikos@gmail.com

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MAIS RELATOS:

http://ipepa.com.br/2015/09/10/ipepa-e-nova-oikos-ministram-pdc-em-curitiba/

Valeu!!!

 

(publicado originalmente em 15/09/2015)

Não é curso, não é voluntariado: é vivência

Um pouco da experiência de Permacultura na Prática na Nova Oikos

Por Michele Torinelli (abril/2015)

 

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Ciranda do barro: pisando a massa do pau a pique. Imagem: Airo Barros.

13 dias, mais de 20 pessoas, práticas de bioconstrução, mudas plantadas, receitas experimentadas e muito de uma troca menos objetiva e mais profunda que fica difícil de relatar. Como construir uma outra agricultura, uma outra alimentação, uma outra construção civil, um outro saneamento, uma outra forma de viver e de se relacionar, enfim, um outro mundo que não esse calcado no medo e na exploração?

Não sabemos, temos algumas pistas e teimamos em experimentar.

Vegetarianismo, veganismo e crudivorismo. Agrofloresta e permacultura. Consumo consciente.  Bioconstrução. Conexão natural e espiritual. Comunidade. Cuidado com os outros, com a terra, com o mundo. Esses foram alguns dos temas que permearam a vivência Permacultura na Prática, realizada na Nova Oikos de 07 a 20 de dezembro de 2015.

“O que a gente faz aqui pode parecer pequenininho, mas é parte de um movimento internacional, revolucionário, subversivo”, disse Mildred Delambre, coordenadora da Nova Oikos, iniciativa localizada em Camboriú (SC). Já disseram pra Mildred que ela é “o cara”, mas ela não gostou não: “por que até pra elogiar precisam chamar a gente de ‘cara’?”, desafia.

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E a revolução se dá nas pequenas atitudes – como o fato de não haver um valor fixo para a inscrição na vivência, apenas um indicativo de contribuição espontânea. Informa-se o custo diário por pessoa e pede-se que cada um contribua de acordo com sua condição. A planilha financeira, com entradas e gastos, é disponibilizada para todos.

Outro diferencial é o período mínimo de permanência: pelo menos cinco dias, visando a criação de vínculos, tanto com a proposta como entre as pessoas. Os objetivos principais da experiência não são o lazer nem o passeio, mas a troca, a prática e o aprendizado – e sem substâncias entorpecentes, legais ou ilegais, pois é possível socializar sem elas, talvez de maneira ainda mais verdadeira.

Os participantes se autogestionam para preparar as refeições e limpar os espaços comuns. Como destaca Mildred, a vivência não é um serviço oferecido pela Nova Oikos. A Nova Oikos é composta por cada um que ajuda a construí-la, com suas mãos, sua vontade, sua entrega –  uma tentativa de subverter a propriedade privada tornando-a comum. Não é fácil, a autonomia é um desafio que exige que cada um reconheça sua responsabilidade e arque com ela.

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Mildred falando sobre Bacia de Evapotranspiração: “sala de aula” na mata

A superação da condição de cliente para a de parceiro, seja do que quer que façamos, é um salto emancipador. Para isso precisamos nos tornar mais criteriosos e nos libertar da condição de consumidores passivos e de empregados – que esconde a introjetada necessidade de termos um chefe, alguém que decide e manda por nós. Exige aprender a ser livre, um intenso exercício que pressupõe desaprender muito do que nos ensinaram e construir uma nova (velha) forma de se viver, resgatando o que já sabiam nossos ancestrais – o que, com muita resistência, ainda praticam os povos tradicionais e, com muita luta e coragem, também fazem os movimentos sociais.

 

Dos conceitos à ação

Muitas atividades foram desenvolvidas a partir dessa lógica comunitária e colaborativa que se engendra em diálogo com a permacultura, perspectiva que se baseia no cuidado com a terra e com os outros, bem como na partilha justa. O termo, que foi cunhado na Austrália e se disseminou pelo mundo, envolve princípios, metodologias e práticas que abarcam agricultura, saneamento, construção e relações entre os seres vivos.

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Preparando a agrofloresta

Iniciamos uma agrofloresta atrás do alojamento da Nova Oikos, local bioconstruído ao longo das vivências para abrigar colaboradores. Para isso recolhemos matéria orgânica, utilizada como adubo, o que envolveu o manejo do bambuzal, cujas folhas secas e galhos apodrecidos oferecem ricos nutrientes. Também foram recolhidas mudas de bananeiras, e os caules excedentes utilizados como adubo para as novas plantas, assim como as folhas em decomposição que se acumulam sobre o solo em meio à mata.

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Banheiro seco com parede de pau a pique preenchida com lixo

Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) imitam a lógica natural para a produção planejada de vegetais, considerando a relação entre plantas, clima, solo e comunidade. Combinam-se diferentes espécies de modo a favorecer todos os elementos, o que permite recuperar áreas degradadas e produzir, simultaneamente, alimentos, matéria orgânica para adubagem e até mesmo madeira. É o oposto do que faz o sistema de monocultivo, que degrada o solo para a produção de uma única espécie em larga escala, frequentemente com o uso de fertilizantes e agrotóxicos. Além de reflorestar a área, a agrofloresta iniciada produzirá alimentos para os futuros encontros no local.

A vivência abarcou também a bioconstrução de algumas obras: a estrutura de um novo banheiro seco foi levantada, com direito a telhado de folha de palmeira e paredes preenchidas com todo o lixo produzido ao longo do último ano no local (as paredes serão revestidas de acordo com a tradicional técnica de pau a pique, a partir de uma mistura de terra, areia e palha).

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Reboco grosso no pau a pique

A cozinha da Nova Oikos ganhou coberturas de folha de palmeira, material disponível na área. As lonas utilizadas como base para os telhados foram reaproveitadas, dando uma finalidade útil para esse resíduo da indústria publicitária.

Fizemos o reboco de uma parede de pau a pique na Panaceia, iniciativa parceira da Nova Oikos e adepta da permacultura localizada em Camboriú. Lá também contribuímos com o manejo do lixo (ou melhor, o resíduo) orgânico, coletado em estabelecimentos comerciais da região e transformado em adubo.

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Lixo do banheiro vira adubo no bokashi

De volta à Nova Oikos, fizemos uma experiência de bokashi, um super adubo que potencializa o cultivo vegetal. Entre os vários elementos da fórmula, utilizamos os resíduos da cozinha e do banheiro produzidos ao longo da vivência – sim, seu papel higiênico pode virar adubo!

Outra atividade foi a construção de piscinas naturais a partir do remanejamento de pedras do rio. E, no espírito de parceria, visitamos o Ecossítio Arandu, no munícipio de Paulo Lopes. Lá construímos uma BET  (Bacia de Evapotranspiração), técnica bastante difundida entre permacultores e que permite fazer o tratamento de efluentes domésticos (neste caso as águas negras, das privadas) de forma autônoma e ecológica.

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Piscina natural

Mildred fez uma exposição teórica sobre o tema na melhor “sala de aula” que poderia existir – a mata. O buraco da BET já estava cavado – fizemos os reparos necessários para o nivelamento (considerando o escoamento de água), revestimos com lona e fizemos um túnel de pneus com o cano do banheiro acoplado. Sobre ele jogamos uma camada de entulho grosso de construção (muitos tijolos e concreto quebrado)  e algum resíduo doméstico (ferro e plástico). Depois revestimos com terra e cobrimos com palha retirada da mata. O próximo passo será plantar as espécies que farão a limpeza, a fitorremediação: bananeira e taioba, entre outras.

Para o tratamento de águas cinzas, que são todas as outras que carregam os resíduos produzidos numa casa, basta um círculo de bananeiras.

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Trabalho na BET com trilha sonora ao vivo

A vivência também contou com oficinas autogestionadas oferecidas pelos participantes, como círculos sagrados (feminino e misto), comunicação compartilhada, bolos veganos e outras mais, sem falar nas muitas fogueiras rodeadas de música e dos inúmeros improvisos sonoros que catalisaram a energia nos momentos em que ela mais era necessária.

 

Redes de cooperação e empoderamento

As atividades da vivência encerraram no dia 19 com uma Feirinha Permacultural aberta à comunidade, que contou com a venda de produtos orgânicos e artesanais, feira de trocas, prática de yoga e almoço comunitário feito pela galera da vivência. A programação também incluiu oficinas sobre cosméticos naturais, produção e aproveitamento de resíduos, PANCs (Plantas Alimentícias Não-Convencionais) e maternidade consciente. Como não poderia deixar de ser, o evento foi gratuito, aberto a contribuições espontâneas.

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Oficina de cosméticos naturais: em roda

Em meio à programação oficial podia-se vislumbrar uma teia de trocas de informações e afeto que unia as pessoas nas rodas, que conectava olhares e conversas. Percebia-se que o movimento é diverso, plural, mas, ao mesmo tempo, unitário. As diferenças podem e devem ser conectadas a partir de princípios, objetivos e práticas comuns ou complementares, que valorizem a saúde integral dos seres vivos e a emancipação humanitária. Esse outro mundo, em alguma medida, já existe: está em gestação.

As trocas foram intensas ao longo de toda a vivência, que envolveu muitas risadas e muito companheirismo, mas também conflitos e dificuldades inerentes à rotina comunitária. A frequentemente difícil definição de acordos em meio aos conflitos não só faz parte do processo de construção de comunidade, mas traz em si o gérmen de todo o potencial de crescimento e realização que só o enfrentamento ao individualismo proporciona. Para isso, mesmo em meio a tantas demandas e anseios objetivos, o acelerado ritmo coletivo era suavizado para a realização de rodas de conversa de avaliação, em que cada um colocava como se sentia, o que estava achando positivo ou o que podia ser melhor.

Havia um cuidado constante com a afinação do grupo, para além das reuniões: as rodas antecediam todas as refeições, momentos em que as mãos se juntam e o julgar é substituído pelo sentir, em que o toque acalma a mente e conecta os corações. Lembrar de agradecer à vida e aos companheiros, de celebrar o alimento e a união. De fortalecer o corpo e o espírito com uma comida saudável que beneficia o produtor, o consumidor e a terra.

O sentimento é de gratidão, palavra tantas vezes repetida na vivência, que em muitas ocasiões é banalizada – assim como a palavra amor, presente em inúmeras propagandas de produtos que vendem a exploração e a doença; a indústria “ama muito tudo isso”. Mas a subversão de não estar obrigado a nada, mas grato a tudo, é profunda: é um empoderamento que surge do amor à vida, em todas as suas manifestações. Reflexão essa que foi verbalizada, justamente, na última roda de avaliação da vivência.

As palavras têm poder: podem escravizar ou emancipar, reproduzir ou subverter. São roupas com que vestimos nossos pensamentos e sentimentos, uma das formas com que podemos manifestar nosso espírito. Façamos bom uso delas, para disseminar o que realmente importa. Esse texto é um experimento nesse sentido.

 

Ahô! Saravá! Namastê.

 

Só ET.

 

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Quadro de boas vindas da Feirinha Permacultural que aconteceu na Nova Oikos no último dia da vivência

 

Permacultura e Bioconstrução no Carnaval: Curso teórico e prático

Neste CARNAVAL vamos fazer aquilo que amamos: PERMACULTURA E BIOCONSTRUÇÃO!!!

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Será um curso teórico e prático sem pré-requisitos para participação. Ideal para quem quer ter uma visão geral, entrar em contato PRÁTICO com as técnicas, participar de uma imersão com uma galera bacana, ter contato com profissionais e ativistas ou simplesmente para apoiar o movimento!

A Nova Oikos é um espaço de experimentação, vivência e aprendizado técnico e intuitivo de diversas formas de atuação no mundo através da Permacultura. Este espaço de uso coletivo vem sendo construído em muitas mãos com técnicas diversas de Bioconstrução. Servimos a comunidade como centro de treinamento, apoiado por profissionais e ativistas com experiência em diversas áreas.

Programação:

SÁBADO – 02/03
9h – Recepção dos participantes com café da manhã

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9h30 – Grande roda: Apresentações, cultura local, organização e acordos coletivos
11h30 – Apresentação do espaço Nova Oikos e técnicas aplicadas
13h – Almoço e Serviços
15h – Palestra: Introdução à Permacultura e ao Design Permacultural
17h – Lanche
17h30 – Reconhecendo Materiais Naturais de Construção

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19h – Janta e Serviços
20h30 – CinePerma

DOMINGO – 03/03
6h30 – Café da manhã e Serviços
7h30 – Prática: bolo arquitetônico – preparo de argamassa-base
9h – Prática: produção de adobe – tijolos maciços de terra crua

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11h30 – Banhos, almoço e serviços
14h – Palestra: Arquitetura Bioclimática
16h – Lanche
16h30 – Palestra: Telhado verde

18h30 – Janta e Serviços
20h – CineBioconstrução

SEGUNDA – 04/03
6h30 – Café da manhã e Serviços
7h30 – Prática: Calfitice e Rebocos Naturais

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11h30 – Banhos, almoço e serviços
14h – Palestra: Técnicas construtivas em terra crua
16h – Lanche
16h30 – Palestra: Sistemas Ecológicos de Tratamento de Efluentes
19h – Pizzada no forno à lenha – Celebração

TERÇA – 05/03
6h30 – Café da manhã e Serviços
7h30 – Práticas: Finalizaçõesgarrafas
11h – Banhos, organização dos espaços, almoço e Serviços
13h30 – Grande roda de avaliação e entrega dos certificados

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15h – Partidas

PARA SE INSCREVER:
1. Preencha a ficha de inscrição:
https://goo.gl/forms/lBD45tkoeBIhfIsX2
2. Faça o aporte no Banco do Brasil
Ag 3420-7 CC 28710-5
Mildred Gustack CPF 007.133.999-02
3. Envie o comprovante via e-mail: info.novaoikos@gmail.com

Não é necessário ter experiência ou conhecimentos prévios para participar. Todas as atividades são orientadas.

APORTES REDUZIDOS PARA INSCRIÇÕES COLETIVAS!
As inscrições vão até dia 28/02 ou até completarmos o grupo (máximo 15 participantes e 6 voluntários).

Aporte solicitado: R$ 420
Inscrições coletivas (a partir de 2 pessoas): R$ 360
Voluntários (participam PARCIALMENTE do curso): R$ 200

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os@gmail.com

 

 

Não é necessário ter experiência ou conhecimentos prévios para participar. Todas as atividades são orientadas.

APORTES REDUZIDOS PARA INSCRIÇÕES COLETIVAS!
As inscrições vão até dia 28/02 ou até completarmos o grupo (máximo 15 participantes e 6 voluntários).

Aporte solicitado: R$ 420
Inscrições coletivas (a partir de 2 pessoas): R$ 360
Voluntários (participam PARCIALMENTE do curso): R$ 200

Projetos de Design do PDC de Verão 2019

O “Projeto de Design em Permacultura” é um exercício obrigatório para na formação de novos permacultores. Simula-se uma solicitação de design de um espaço real e o grupo deve projetar de acordo com os princípios e ferramentas de design estudadas durante o curso. É necessário realizar análise de mapas e paisagens, análise dos elementos à implantar no espaço, estudo das conexões entre os elementos ligando suas funções e necessidades à outros elementos, e assim por diante.

O trabalho em grupo abrange as principais questões do Design Social, a começar pela “zona -1” (o indivíduo). Uma boa parte daquilo que vimos neste PDC, no Seminário de Educação para a Paz, ministrado pelo Mhanoel Mendes da Oikos de Criciúma, rebrota em aspectos práticos do processo de design permacultural e sentimos o apego tomando espaço precioso em diversos grupos. Tudo é aprendizado. Cada grupo e indivíduo vai criando suas formas de manejar sentimentos e percepções. Neste processo, observamos, acolhemos os desabafos e confiamos no caminho. O resultado dos projetos foi surpreendente!

Ao final, os grupos apresentaram suas propostas para o “cliente” na forma de emocionantes visualizações mentais guiadas, mapas caprichadíssimos com zoneamentos e setores,  saiu até uma maquete física maravilhosa, diagramas complexos, lindos croquis, apresentações projetadas em slides com fotos, planilhas e projeções da implantação no tempo com os recursos necessários, entre muitos outros dados que viabilizariam a real execução dos mesmos.

Apesar do temporal que caiu bem no momento das apresentações e que acabou prejudicando a atenção do grande grupo (que era muito grande mesmo!), consideramos que foram realizados trabalhos muito coerentes, cuidadosos e genuínos. Assim, com grande felicidade, concedemos à todos a certificação, e lançamos no mundo mais uma turma de ativistas, apaixonados, permacultores!

Programação de verão

Entramos no verão com uma imersão transformadora, que aconteceu de 10 à 16 de dezembro e cujas fotos, ilustram este post.

Nossa agenda e atividades segue o ritmo acelerado da natureza, neste período onde tudo cresce. O próximo encontro será a vivência colaborativa “Permacultura & Mão na Massa”, que acontece de 7 à 11 de janeiro. Durante o período finalizaremos as tarefas para abraçar nosso maior evento do ano: o PDC (Permaculture Design Course).

Aproveitamos para lançar um último incentivo para quem quiser vir no PDC e puder participar do Pré-PDC (7 à 11 de janeiro): ofereceremos a inscrição do curso com aporte reduzido (R$ 1320 invés de R$ 1680)! Nosso grupo fecha com 25 participantes e restam apenas 4 vagas agora, então é preciso agilizar!

No dia em que nos despediremos do grupo da vivência, os participantes do PDC estarão chegando e habitarão a Nova Oikos até dia 24 de janeiro. Aí, faremos uma pausa para recolocar as ideias em dia – pois sabemos que cada PDC é um turbilhão de informações e emoções! Acolheremos um novo grupo apenas em fevereiro, no nosso “Pré Carnaval” de 18 à 22 de fevereiro.

Se você quer aprender sobre técnicas, tecer uma rede de suporte para a Transição, conhecer pessoas e histórias incríveis, botar a mão na terra e na enxada, sentir o orvalho junto com os passarinhos pela manhã, assistir o fogo da fogueira à noite… está mais do que convidado! Este é o momento e o lugar para aprender, partilhar, se transformar e se divertir no caminho!

Segue as informações gerais de cada encontro:

07 à 11 de janeiro – Vivência Colaborativa “Permacultura & Mão na Massa” (Grupo 1: Pré PDC)

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FICHA DE INSCRIÇÃO:
Contribuição financeira apenas para os custos de alimentação/material

18 à 22 de fevereiro – Vivência Colaborativa “Permacultura & Mão na Massa” (Grupo 2: Pré Carnaval)

FICHA DE INSCRIÇÃO:
Contribuição financeira apenas para os custos de alimentação/material

12 à 24 de janeiro – Curso Certificado PDC (Permaculture Design Course)

Últimas vagas!! FICHA DE INSCRIÇÃO: bit.ly/PDC2019

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Origens do Decrescimento

3. Aux origines de la Décroissance from Décroissance – Degrowth on Vimeo.

Aux origines de la Décroissance :
– Approche physique :
Nicholas Georgescu-Roegen : vimeo.com/14288450
Le pic de pétrole : partipourladecroissance.net/?p=170
partipourladecroissance.net/?s=pic+de+p%C3%A9trole
Appauvrissement des sols : youtube.com/watch?v=vzMhB1fgWew

– Approche culturelle :
Ivan Ilich : partipourladecroissance.net/?p=5019
partipourladecroissance.net/?p=3478
André Gorz : partipourladecroissance.net/?p=6713
Jacques Ellul : partipourladecroissance.net/?p=1146
Cornelius Castoriadis : la-bas.org/article.php3?id_article=2208&var_
Serge Latouche : partipourladecroissance.net/?p=5758

Et beaucoup d’autres…

Pour signer l’Appel : decroissance2012.fr
Plus d’infos : partipourladecroissance.net
Contact : contact@decroissance2012.fr

Achados e perdidos e a política do compartilhamento

Como temos muitos cursos, vivências e parcerias, muitas pessoas passam pela Nova Oikos – e ficamos muito felizes com isso. Mas, com toda essa movimentação, muitas coisas são esquecidas por aqui: toalhas, vestimentas, meias, botas, luvas… E o fato é que não conseguimos lidar com essa logística de enviar, cuidar ou armazenar tantos objetos esquecidos ou deixados.

Portanto, a não ser por algumas exceções que teremos a delicadeza de considerar, os achados e perdidos da Nova Oikos são colocados na roda: estarão à disposição de quem os encontrar e achar uma utilidade para eles. Eventualmente o objeto pode acabar na composteira ou na massa de terra na parede. Sem grilo.

Contamos com a compreensão de todas e todos, e destacamos que, num ambiente coletivo, o cuidado com os objetos pessoais deve ser pensado também no sentido de não atrapalhar o fluxo dos demais.

Agradecemos a compreensão!

 

BIOCONSTRUIR – Feriadão 15 novembro

BIOCONSTRUIR NOVA OIKOS
Vivência colaborativa em Bioconstrução e Permacultura
de 15 à 18 de novembro, 2019

Programa-AÇÃO no canteiro de obra:
– Cordwood (“alvenaria” de torinhas de madeira)
– Produção de tijolinhos artesanais (adobe)
– Execução de alvenaria em adobe
– Arte e Mosaicos com azulejos
– Parede de Garrafas de Vidro
– Revestimento em Terra Crua e CAL
– Superadobe
– Trabalhos com madeira (carpintaria e marcenaria)
– SAF: Manutenção de canteiros e hortas

Alimenta-AÇÃO maravilhosa:
– Frutas e divindades naturais
– Integrais e Vegetais
– Pizzada no forno à lenha
– Hamburgada Vegetariana
– ..E tudo mais que vossos cozinheiros concederem!

Contribuição Financeira (é… necessário!)
R$ 210 para os 4 dias, com alimentação completa, camping e orientações da nossa equipe
R$ 160 para os veteranos da Nova Oikos, inscrições em grupo (a partir de 3 pessoas)

R$ 105 para os 10 primeiros inscritos, até 31/10 apenas!!!

IMPORTANTE SABER: ninguém fica de fora por motivos financeiros. Se você quer vir mas a contribuição que solicitamos é impeditiva, nos avise com quanto pode contribuir para ser viável.
Todos os aportes serão diretamente investidos em material, alimentação e logística. A equipe só será remunerada se houver excedente no final do evento. Somos todos voluntários =)

*** Possibilidade de hospedagem na área residencial, com banho quente, aporte adicional R$ 80 para todo período.

INSCRIÇÕES:
1. Preencha a ficha online:
https://goo.gl/forms/tkpq1GNNc3gRiWVH3
2. Realize o aporte selecionado no Banco do Brasil:
Agência 3616-1, Conta Corrente: 33174-0
Em nome de Mildred Gustack Delambre (CPF 007.133.999-02)
3. Envie o comprovante para nova.oikos@gmail.com ou no whats: 48 9 8858 6912

Política de restituição dos aportes em caso de desistência:

Você teve um contratempo e não poderá mais participar? Nos comunique o quanto antes sobre a sua decisão para termos condições de restituir os valores aportados, conforme a política de restituição. Programamos todos os investimentos necessários para a vivência e recepção dos participantes, contando com o valor total de todos os aportes, por isso, todos devem concluir 100% do aporte ANTES do início do curso. O cancelamento deve ser feito via e-mail e não é necessário justificar.

  • Cancelamento até dia 05/10/2018: restituição de 50% do valor aportado.
  • Cancelamentos a partir do dia 06/10 (de última hora) não terão aporte restituído, porém, é possível presentear um amigo ou repassar a vaga para alguém que não tenha condições de financiar a participação. Nos comunique caso não tenha alguém próximo para efetuar a troca (nós sempre temos!!)
Mais detalhes sobre as atividades, o que trazer e como chegar serão enviados uma semana antes do evento apenas para os inscritos confirmados.

PERGUNTAS FREQUENTES:

Pode participar só um dia?
R.: Pode sim. Aí pedimos uma contribuição de R$ 70 por dia

Pode ir dormir em casa?
R.: Pode sim, e a contribuição é igual. Porém, pedimos que tenha muito carinho com o grupo e respeite os horários de início e fim das atividades (7h30 e 17h30 aproximadamente)

Pode levar crianças?
R: SIM.Com uma contribuição espontânea para os custos de alimentação. Todos ajudaremos a cuidar das crianças mas é preciso sempre estar atento às suas necessidades e principalmente à sua segurança (estamos em ambiente aberto à floresta).

INFORMAÇÕES: nova.oikos@gmail.com
48 9 8858 6912